Música

Benito di Paula morre aos 84 anos em São Paulo e deixa trajetória marcada pelo samba ao piano

Cantor e compositor estava internado no Hospital 9 de Julho e tratava um câncer havia cerca de um ano, segundo sua assessoria.

Redação Jornal Diplomata

Publicado em 19/10/2026 às 07:51

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Benito di Paula morre aos 84 anos em São Paulo e deixa trajetória marcada pelo samba ao piano

O cantor, compositor e pianista Benito di Paula morreu neste domingo (18), aos 84 anos, em São Paulo. A morte foi confirmada pela assessoria de imprensa do artista, que informou que ele estava em tratamento contra um câncer havia cerca de um ano. O músico encontrava-se internado no Hospital 9 de Julho.

Nome de destaque da música popular brasileira nas décadas de 1970 e 1980, Benito construiu uma trajetória associada à aproximação entre o samba e o romantismo. Ao piano, incorporou influências do jazz e do bolero, combinação que se tornou uma das principais características de seu trabalho e de sua identidade musical.

De Nova Friburgo aos primeiros palcos

Batizado Uday Vellozo, o artista nasceu em Nova Friburgo, na região serrana do Rio de Janeiro, em 28 de novembro de 1941. Ainda jovem, mudou-se para Santos, no litoral paulista, onde começou a fazer shows. A cidade marcou, assim, uma etapa inicial de seu percurso como intérprete e instrumentista.

O primeiro grande sucesso veio em 1969, com Canção para o nosso amor. A música integrou a trilha sonora da novela Nino, o Italianinho, exibida pela TV Tupi. Essa presença na televisão antecedeu o período de maior projeção do cantor, que se consolidaria na década seguinte.

Em 1973, Retalhos de Cetim ampliou o alcance de seu nome na música brasileira. A canção tornou-se um marco de sua carreira e abriu uma sequência de sucessos que ajudaram a definir o repertório pelo qual o artista ficou conhecido.

Romantismo e influências no samba

Entre as músicas que se seguiram estão Violão Não Se Empresta a Ninguém, Charlie Brown, Se Não For Amor, Mulher Brasileira e Vai Ficar na Saudade. O conjunto desses títulos compõe a trajetória de um músico que reuniu as funções de cantor, compositor e pianista.

Sua maneira de interpretar o samba, com presença do piano e forte componente romântico, fez dele o principal representante do estilo apelidado de “samba-joia”. A expressão identificava uma vertente considerada mais comercial do gênero, à qual seu trabalho passou a ser associado.

Essa classificação situa a produção de Benito em uma combinação particular de referências: o samba como base, o romantismo como elemento expressivo e as influências do jazz e do bolero na construção de sua linguagem musical. Foi com essa combinação que ele alcançou destaque entre os anos 1970 e 1980.

Da participação em uma trilha de novela ao reconhecimento obtido com Retalhos de Cetim, sua trajetória ficou marcada tanto pelas canções quanto pela atuação ao piano. Esses elementos definiram o lugar de Benito di Paula entre os grandes nomes da música popular brasileira de seu período.